• Rachel Serodio

Dia Internacional da Mulher - Um dia de resistência e luta


Em meio a centenas de publicações e homenagens clichês, resistimos na data como uma forma de dar visibilidade às lutas feministas. Não estamos bem. E a ideia de que estamos evoluindo é uma falácia social de apagamento de séculos. Seguimos sem sermos respeitadas e a escuta social é androcêntrica, ou seja, homens cis héteros brancos adultos detêm o protagonismo das narrativas inclusive no sistema de justiça do país. Estamos longe de conquistar direitos que assegurem uma vida plena e com acesso a oportunidades, crescimento, passando por diversos tipos de violência física e psicológica ao longo da vida. Até mesmo porque não é tão somente através de direitos que alcançaremos equidade.⠀

O patriarcado, seja o modo social dispensado antes do capitalismo onde a figura do pater na formação da família mantinha a mulher ( além dos animais, crianças, terra e escravos) sob sua propriedade, seja o modo social de formação do capitalismo, que aglutinou no Brasil a colonização, escravidão e o patriarcalismo, está presente estruturalmente até hoje.⠀

Tanto é verdade, que após muita luta feminista, foi inicialmente conquistado o direito ao voto em 1932 e em 1962 com o estatuto da mulher casada passou a mulher a não depender da autorização do marido para trabalhar e receber herança. Todavia, nem a promulgação da Constituição de 1988 que igualou homens e mulheres como sujeitos de direito nem o Código Civil de 2002 que detalhou as garantias civis familiares foram capazes de trazer para a prática social a equidade garantida e esperada.


Os números exorbitantes de violências sofridas por mulher cis ou trans - seja psicológica, física, patrimonial ou sexual - ainda que com a promulgação da Lei Maria da Penha em 2006 e a entrada da Lei de Alienação Parental no ordenamento jurídico em 2010 demonstram de forma inequívoca que os avanços históricos alcançados com muita luta estão sofrendo diversas respostas conservadoras, seja nas práticas sociais, seja através da edição de uma lei que não tenha participado dos debates democráticos e que tenha como fundamento uma síndrome sem qualquer cientificidade comprovada.


Na Idade Média, mulheres eram castigadas por suas práticas e conhecimentos medicinais, por conhecerem como evitar ou encerrar a reprodução, por serem suspeitas de relacionar com o diabo ou quando suspeitavam de adultério, além de terem sido proibidas de receber remuneração para trabalhar. Hoje, sofrem toda sorte de violência e são revitimizadas pelo sistema de justiça, seus corpos estão aprisionados ao Estado para fins de reprodução, quase 6 milhões de seus filhos não têm pai registral na certidão de nascimento e a maternidade encontra-se subjugada a uma lei iníqua que as denomina de alienadoras quando protegem seus filhos de abusos sexuais ou quando não mais se subjugam a violências perpetradas contra si e seus filhos.


Não há qualquer comemoração pelo dia de hoje. Há muita luta fora e dentro do sistema de justiça para que através de uma perspectiva feminista e antirracista, para manutenção da vida, a lógica dominante hegemônica seja suplantada.

9 visualizações0 comentário